Tempo de controlo de passageiros nos aeroportos subiu "quatro a cinco vezes mais"

Tempo de controlo de passageiros nos aeroportos subiu "quatro a cinco vezes mais"

Há empresas que estão a pedir aos passageiros para chegarem mais cedo aos aeroportos, havendo também quem perca os voos de ligação. Apesar de o problema se repetir noutras partes da Europa, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal afirma que o país não se preparou bem para o sistema europeu de controlo de fronteiras.

Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1 /
RTP

O diretor executivo da associação, António Moura Portugal, diz à RTP Antena 1 que, entre chegadas e agora as partidas também, o tempo de controlo de cada passageiro subiu de forma considerável.

De acordo com as estimativas das companhias aéreas, "esse tempo de controlo está a subir quatro a cinco vezes mais, o que leva a que haja tempos de espera nos vários aeroportos e que haja um aumento generalizado desses tempos de espera", afirma. 

Apesar do problema repetir-se noutros aeroportos, quando questionado, António Moura Portugal afirma que Lisboa está entre os piores da Europa. O diretor executivo da RENA - Associação das Companhias Aéreas em Portugal lembra as limitações da infraestrutura e considera que o país não se preparou bem.

"Portugal não preparou este dossier convenientemente", quer em recursos humanos como em coordenação, admite. Salienta o facto de haver uma "dificuldade acrescida" deste tipo de medidas em "infraestruturas altamente congestionadas e com limitação de espaço, como Lisboa". 
Moura Portugal aponta para problemas mais estruturais que agravam a situação em Lisboa, como uma "demasiada prioridade ao lado comercial" em vez da operação aeroportuária e um "desinvestimento" na polícia de fronteiras, deixando críticas à extinção do SEF.
Sobre a gestão das fronteiras atualmente feita pela Polícia de Segurança Pública (PSP), o dirigente da RENA pede regras mais flexíveis: que seja possível, por exemplo, prolongar por mais tempo a suspensão da recolha de biometra em alturas de maior afluência, para lá do tempo de seis horas, afirma.

"Neste momento, apenas existe a possibilidade de suspensões temporárias por períodos até seis horas", alega António Moura Portugal. E sugere: "O que gostaríamos, companhias aéreas, é que houvesse um bocadinho mais de flexibilidade e que houvesse também, em períodos de pico, a possibilidade de suspensão da aplicação do regulamento por períodos maiores, sem que isso leve a qualquer tipo de sanção ou de penalização aos Estados-membros".


Contactado pela Antena 1, o porta-voz da PSP, o Subintendente Sérgio Soares, não comenta o período referido de seis horas. Sublinha que a PSP "suspende momentaneamente a recolha de biometria", nomeadamente o reconhecimento facial e as impressões digitais, quando é ultrapassado um tempo de espera de 30 minutos.

O Conselho Internacional de Aeroportos já tinha expressado em abril preocupação quanto ao verão. "Esta situação, nas próximas semanas e certamente durante os meses de pico do verão, será simplesmente incontrolável", explicava o diretor europeu Olivier Jankovec.
Redução de voos. "Não temos registo de decisões nesse sentido, para já"

Outra das preocupações que tem sido levantada é a disponibilidade de jet fuel por causa da situação no Médio Oriente. Sobre a possibilidade de redução de voos de e para Portugal, o diretor executivo da RENA é perentório: "Não temos registo de decisões nesse sentido, para já".

Atualmente "há alguma preocupação em termos de preço" e não existe ainda "um quadro de alarme ou de risco de escassez" do combustível para aviões, afirma.

Sobre esta matéria, a Antena 1 perguntou à ANA Aeroportos se está a registar cancelamentos de voos ou de rotas programadas para os próximos meses nos vários aeroportos nacionais, mas não obteve resposta.

António Moura Portugal considera, ainda assim, que deveria ser pensada uma flexibilização de regras regulatórias. Defende que não sejam necessários fazer voos só para não perder o slot (horário atribuído num aeroporto para a partida ou chegada de um avião), para que não aconteçam "voos fantasma".

Por outro lado, defende também uma redução de taxas de tráfego em certos aeroportos para conseguir manter a procura.
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